Este é um espaço para discussão e informação sobre educação em suas diversas modalidades.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Abertas 30 mil vagas para cursos de licenciatura

Professores em exercício na rede pública de educação básica podem realizar pré-inscrições para cursos de licenciatura presenciais até o dia 10 de setembro. Cerca de 30 mil vagas para cursos que terão início no primeiro semestre de 2012 serão oferecidas pelo Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica – Parfor Presencial.

Estão sendo ofertados diferentes cursos: de primeira licenciatura, para professores em exercício na rede pública da educação básica sem formação superior; de segunda licenciatura, para professores em exercício na rede pública da educação básica, há pelo menos três anos, em área distinta da sua formação inicial, e formação pedagógica, para professores em exercício na rede pública da educação graduados mas não licenciados.

Distrito Federal – Uma das novidades dessa rodada de pré-inscrições é a participação inédita do Distrito Federal, que recentemente aderiu ao plano. O DF possui cerca de 800 professores que atuam nas escolas públicas, sem formação adequada para lecionar.

Além do DF, serão oferecidos cursos em 23 estados da federação. Piauí e Sergipe não dispõem de vagas nesta edição. Para saber quais as instituições de ensino superior, cursos e número de vagas estão sendo ofertados, bem como realizar sua pré-inscrição, os professores devem acessar a Plataforma Freire, sistema informatizado do MEC para gestão da formação.
 
Após esse período, as pré-inscrições deverão ser validadas pela secretaria de educação estadual ou municipal à qual o professor em exercício estiver vinculado, no período de 11 de setembro a 8 de outubro.

Dúvidas sobre o Parfor Presencial podem ser esclarecidas pelo telefone 0800 616161, opção 7.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

REFERENCIAIS DE QUALIDADE PARA EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA

Não há um modelo único de educação à distância! Os programas podem apresentar diferentes desenhos e múltiplas combinações de linguagens e recursos educacionais e tecnológicos. A natureza do curso e as reais condições do cotidiano e necessidades dos estudantes são os elementos que irão definir a melhor tecnologia e metodologia a ser utilizada, bem como a definição dos momentos presenciais necessários e obrigatórios, previstos em lei, estágios supervisionados, práticas em laboratórios de ensino, trabalhos de conclusão de curso, quando for o caso, tutorias presenciais nos pólos descentralizados de apoio presencial e outras estratégias.

Apesar da possibilidade de diferentes modos de organização, um ponto deve ser comum a todos aqueles que desenvolvem projetos nessa modalidade: é a compreensão de EDUCAÇÃO como fundamento primeiro, antes de se pensar no modo de organização: A DISTÂNCIA.

Assim, embora a modalidade a distância possua características, linguagem e formato próprios, exigindo administração, desenho, lógica, acompanhamento, avaliação, recursos técnicos, tecnológicos, de infra-estrutura e pedagógicos condizentes, essas características só ganham relevância no contexto de uma discussão política e pedagógica da ação educativa.

Disto decorre que um projeto de curso superior a distância precisa de forte compromisso institucional em termos de garantir o processo de formação que contemple a dimensão técnico-científica para o mundo do trabalho e a dimensão política para a formação do cidadão.

Devido à complexidade e à necessidade de uma abordagem sistêmica, referenciais de qualidade para projetos de cursos na modalidade a distância devem compreender categorias que envolvem, fundamentalmente, aspectos pedagógicos, recursos humanos e infra-estrutura. Para dar conta destas dimensões, devem estar integralmente expressos no Projeto Político Pedagógico de um curso na modalidade a distância os seguintes tópicos principais:

•Concepção de educação e currículo no processo de ensino e aprendizagem;
•Sistemas de Comunicação;
•Material didático;
•Avaliação;
•Equipe multidisciplinar;
•Infra-estrutura de apoio;
•Gestão Acadêmico-Administrativa;
•Sustentabilidade financeira.

Equipe Multidisciplinar

Em educação a distância, há uma diversidade de modelos, que resulta em possibilidades diferenciadas de composição dos recursos humanos necessários à estruturação e funcionamento de cursos nessa modalidade.

No entanto, qualquer que seja a opção estabelecida, os recursos humanos devem configurar uma equipe multidisciplinar com funções de planejamento, implementação e gestão dos cursos a distância, onde três categorias profissionais, que devem estar em constante qualificação, são essenciais para uma oferta de qualidade:
 
· docentes;
· tutores;
· pessoal técnico-administrativo.

Seguem os detalhes das principais competências de cada uma dessas classes funcionais.
 
Docentes

Em primeiro lugar, é enganoso considerar que programas a distância minimizam o trabalho e a mediação do professor. Muito pelo contrário, nos cursos superiores a distância, os professores vêem suas funções se expandirem, o que requer que sejam altamente qualificados. Em uma instituição de ensino superior que promova cursos a distância, os professores devem ser capazes de:

a) estabelecer os fundamentos teóricos do projeto;
b) selecionar e preparar todo o conteúdo curricular articulado a procedimentos e atividades pedagógicas;
c) identificar os objetivos referentes a competências cognitivas, habilidades e atitudes;
d) definir bibliografia, videografia, iconografia, audiografia, tanto básicas quanto complementares;
e) elaborar o material didático para programas a distância;
f) realizar a gestão acadêmica do processo de ensino-aprendizagem, em particular motivar, orientar, acompanhar e avaliar os estudantes;
g) avaliar-se continuamente como profissional participante do coletivo de um projeto de ensino superior a distância.

O projeto pedagógico deve apresentar o quadro de qualificação dos docentes responsáveis pela coordenação do curso como um todo, pela coordenação de cada disciplina do curso, pela coordenação do sistema de tutoria e outras atividades concernentes. É preciso a apresentação dos currículos e outros documentos necessários para comprovação da qualificação dos docentes, inclusive especificando a carga horária semanal dedicada às atividades do curso. Além disso, a instituição deve indicar uma política de capacitação e atualização permanente destes profissionais.

Tutores

O corpo de tutores desempenha papel de fundamental importância no processo educacional de cursos superiores a distância e compõem quadro diferenciado, no interior das instituições. O tutor deve ser compreendido como um dos sujeitos que participa ativamente da prática pedagógica. Suas atividades desenvolvidas a distância e/ou presencialmente devem contribuir para o desenvolvimento dos processos de ensino e de aprendizagem e para o acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico. Um sistema de tutoria necessário ao estabelecimento de uma educação a distância de qualidade deve prever a atuação de profissionais que ofereçam tutoria a distância e tutoria presencial.

A tutoria a distância atua a partir da instituição, mediando o processo pedagógico junto a estudantes geograficamente distantes, e referenciados aos polos descentralizados de apoio presencial. Sua principal atribuição deste profissional é o esclarecimento de dúvidas através fóruns de discussão pela Internet, pelo telefone, participação em videoconferências, entre outros, de acordo com o projeto pedagógico. O tutor a distância tem também a responsabilidade de promover espaços de construção coletiva de conhecimento, selecionar material de apoio e sustentação teórica aos conteúdos e, freqüentemente, faz parte de suas atribuições participar dos processos avaliativos de ensino-aprendizagem, junto com os docentes.

A tutoria presencial atende os estudantes nos pólos, em horários pré-estabelecidos. Este profissional deve conhecer o projeto pedagógico do curso, o material didático e o conteúdo específico dos conteúdos sob sua responsabilidade, a fim de auxiliar os estudantes no desenvolvimento de suas atividades individuais e em grupo, fomentando o hábito da pesquisa, esclarecendo dúvidas em relação a conteúdos específicos, bem como ao uso das tecnologias disponíveis. Participa de momentos presenciais obrigatórios, tais como avaliações, aulas práticas em laboratórios e estágios supervisionados, quando se aplicam. O tutor presencial deve manter-se em permanente comunicação tanto com os estudantes quanto com a equipe pedagógica do curso.

Cabe ressaltar que as funções atribuídas a tutores a distância e a tutores presenciais são intercambiáveis em um modelo de educação a distância que privilegie forte mobilidade espacial de seu corpo de tutores.

Em qualquer situação, ressalta-se que o domínio do conteúdo é imprescindível, tanto para o tutor presencial quanto para o tutor a distância e permanece como condição essencial para o exercício das funções. Esta condição fundamental deve estar aliada à necessidade de dinamismo, visão crítica e global, capacidade para estimular a busca de conhecimento e habilidade com as novas tecnologias de comunicação e informação. Em função disto, é indispensável que as instituições desenvolvam planos de capacitação de seu corpo de tutores. Um programa de capacitação de tutores deve, no mínimo, prever três dimensões:

· capacitação no domínio específico do conteúdo;
· capacitação em mídias de comunicação; e
· capacitação em fundamentos da EaD e no modelo de tutoria.

Por fim, o quadro de tutores previstos para o processo de mediação pedagógica deve especificar a relação numérica estudantes/tutor capaz de permitir interação no processo de aprendizagem.
 
O corpo técnico-administrativo

O corpo técnico-administrativo tem por função oferecer o apoio necessário para a plena realização dos cursos ofertados, atuando na sede da instituição junto à equipe docente responsável pela gestão do curso e nos pólos descentralizados de apoio presencial. As atividades desempenhadas por esses profissionais envolvem duas dimensões principais: a administrativa e a tecnológica.

Leia o texto na íntegra: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - REFERENCIAIS DE QUALIDADE PARA EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA, 2007.

sábado, 30 de julho de 2011

O papel do docente na EaD

Autora: Amanda Tolomelli Brescia

Neste artigo iremos tratar um pouco sobre qual é o papel que o educador deve assumir frente a Educação a Distância. Como agir? O que ele precisa conhecer para continuar atualizado? Como motivar o aluno a persistir mesmo com todos os afazeres diários?

Existem diferentes fatores que tornam o ensino ministrado através de um Ambiente Virtual de Aprendizagem diferente do que acontece dentro de sala de aula. A diferença básica é que na Educação a Distância o professor não consegue visualizar a linguagem corporal de seus alunos e não consegue saber como eles estão reagindo a um determinado texto, matéria ou comentário feito pelo professor.

Um fator que pode dificultar o trabalho do professor é que toda a mediação pedagógica é realizada com o auxílio de ferramentas de tecnologias de informação e comunicação. Os melhores professores da EaD são aqueles que tem empatia com a utilização de tais ferramentas e com as personalidades e diferentes maneiras de aprender de seus alunos. Existem designers de cursos que acreditam que o material didático do curso não deva ser apresentado aos alunos sob diferentes óticas, mas sim o professor deve explorá-lo, detalhá-lo de diferentes maneiras.

Uma questão que ainda é bastante pertinente refletirmos é se todos os professores que atuam em sala de aula de maneira eficaz e eficiente podem também ser bons professores da EaD e a resposta é “depende”. Depende de sua maneira de lidar com as tecnologias de informação e comunicação, depende da maneira como ele enxerga os alunos, não como uma tábula rasa ou como um “cofre” que precisa ter o conhecimento depositado ou escrito nele para que ele o tenha. É preciso mudar a visão que temos de nossos alunos, deixando de enxergá-los como pessoas que não tem nada a contribuir e passando a considerá-los homens e mulheres, em sua maioria adultos, que sabem o que querem e que escolheram esta modalidade de educação por algum motivo e não por falta de motivo.

O professor tutor (como é designado o professor na Educação a Distância) tem alguns papéis que o professor de sala de aula normalmente não tem, ou esqueceu-se de desenvolver, sendo:

- Elaborar o conteúdo do curso (materiais, atividades não avaliativas, atividades avaliativas, etc);

- Supervisionar e ser o moderador nas discussões que acontecerem dentro de um fórum de discussões;

- Dar nota e feedback positivo e negativo do desenvolvimento do aluno, de maneira individualizada e personalizada;

- Manter a organização e o registro das entregas de atividades e participações dos alunos;

- Ajudar os alunos a organizarem seu tempo e a gerenciarem seus estudos;

- Motivar os alunos a permanecerem no curso inicialmente escolhido;

- Defender os interesses dos alunos junto à coordenação do curso, auxiliando-os em questões administrativas, técnicas ou e aconselhamento;

- Avaliar os alunos de maneira processual e holística.

Estas são apenas algumas ações que enumerei para que vocês começassem a compreender a dimensão do trabalho do trabalho do professor tutor.

Facilitar a interação entre os alunos e o tutor, entre eles próprios, entre eles e o Ambiente Virtual de Aprendizagem, com o Material Didático e com toda a comunidade acadêmica também é papel do tutor.

O papel do tutor não é um papel fácil, que qualquer profissional pode desempenhar, mas sim um papel trabalhoso, que requer cuidados e atenções, possivelmente maiores, que as de um professor da modalidade presencial.

É importante ressaltar que a EaD se constitui como uma modalidade educacional que requer do aluno muita disciplina, organização, uma dose de autodidatismo, além de maturidade. O tutor deve estar atento e acompanhar as reações, habilidades e dificuldades de cada aluno, fazer intervenções e dar orientações, na medida certa.
 
* Graduada em Pedagogia pela Universidade do Estado de Minas Gerais (2007), Especialista em Gestão de Pessoas e Projetos Sociais pela Universidade Federal de Itajubá pelo projeto UAB (2009) e atualmente cursando especialização em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância pela Universidade Federal Fluminense (2010). É autora de materiais didáticos para cursos a distância, tutora a distância e possui experiência como Orientadora Pedagógica de EaD. Atua também como tutora a distância no curso de especialização lato sensu em Produção de Material Didático para a Diversidade pela Universidade Federal de Lavras, em parceria com a UAB e co-responsável pela coordenação pedagógica do E-tec do CEFET-MG. É aluna regular do Mestrado em Educação Tecnológica do CEFET-MG.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A importância da afetividade no relacionamento virtual

Autores: Valquiria Silva / Eveline Calabresi / Maykon Andersom / Claudia Carrera Diniz / Renata Coelho

As relações entre professor-aluno e aluno-aluno sempre foram e sempre serão motivos de preocupação das pessoas relacionadas com educação, visto que não há dúvidas que estas relações influenciam diretamente no processo de ensino aprendizagem.

As pessoas, de um modo geral, necessitam se relacionar. Desde os primórdios, quando os seres humanos começaram a viver em sociedade, procuram maneiras de melhorar essas relações, daí surgiram, por exemplo, as regras, que mais tarde viraram leis que auxiliaram nesse processo.

A partir da evolução da cultura humana, afetividade começou a ter um papel muito importante nas relações interpessoais. Afetividade esta, que já começa no âmbito familiar, onde as pessoas já ao nascerem, são acolhidas por laços afetivos que duram a vida inteira.

A afetividade no contexto social e educacional

O desenvolvimento humano não acontece somente relacionado aos aspectos cognitivos, mas também e principalmente aos aspectos afetivos. O homem precisa ser ouvido, acolhido e valorizado, e isso contribui para a construção da sua auto estima, para que se sintam confiantes para enfrentar os desafios. Então, a importância de uma relação está nas pessoas envolvidas, seja na sala de aula, em casa, no trabalho, na academia, etc.

No âmbito educacional não é diferente. As grandes correntes pedagógicas passaram a reconhecer a importância da afetividade nas atividades cognitivas e defender que afetividade e inteligência se fundem: a consciência afetiva dá origem à atividade cognitiva. A relação professor-aluno deve ser a mais próxima possível, baseada na partilha de sentimentos e respeito mútuo. O vínculo afetivo é um grande facilitador no processo ensino-aprendizagem, pois na criação deste vínculo o aluno passa a não se sentir sozinho, se sentirá acolhido, e quando o conteúdo é apresentado, as dificuldades são logo percebidas e aceitas como parte do processo de ensino-aprendizagem, auxiliando na superação das dificuldades e facilitando assim o aprendizado. A afetividade tanto no contexto social como educacional pode tornar as relações mais produtivas, pois se estiver aliada a sentimentos de respeito, gentilezas, compreensão, etc., pode fazer com que o relacionamento se torne mais próximo e as interações permitam mais e melhores trocas.

A afetividade nas relações interpessoais

As relações interpessoais estão condicionadas ao contexto sócio-cultural. A convivência das pessoas do grupo e o contato com diferentes grupos sociais possibilita a construção do auto-conceito da pessoa. Através do auto-conceito a pessoa reflete suas ações e a forma como é percebida e tratada pelas outras pessoas.

A convivência em grupos diversificados que contribuem com a formação das pessoas. Por isso nas relações interpessoais, as pessoas que se sentem inferiores ou discriminadas, acabam se tornando hostis ou indiferentes, já as que se sentem acolhidas se sentem confiantes e otimistas para enfrentar os desafios, são alegres e determinadas. A qualidade das interações ocorridas no grupo é que poderá levar a pessoa ao desenvolvimento de suas capacidades, sejam elas cognitivas ou afetivas.

Na educação torna-se claro a importância das relações interpessoais e afetividade no processo ensino-aprendizagem. O desenvolvimento do ser humano acontece por meio da interação entre suas condições biológicas, sociais, históricas e culturais.

A afetividade na comunicação/interação em uma sala de aula virtual

Existem vários estudos que apontam a importância dessa primeira relação de afetividade no processo de ensino-aprendizagem. Na modalidade de EaD podemos dizer que é mais difícil criar um vínculo afetivo entre os alunos e também na relação professor-aluno do que quando eles estão todos juntos em sala de aula, numa convivência diária, porém na educação à distância o afeto torna-se ainda mais necessário para o sucesso desse processo.

É presumível exprimir que as afetividades num Ambiente Virtual de aprendizagem (AVA) pode ter um componente fantasioso ainda maior, por envolver a falta de elementos sensoriais que são substituídos por formações arquetípicas de cada indivíduo formando uma pseudo-forma do outro. Este fenômeno pode-se discutir, torna as questões afetivas muito complexas e ricas.

A comunicação/interação do professor ou do tutor com o aluno é primordial para que o aluno se sinta acolhido, que suas dúvidas sejam sanadas, que ele não se sinta sozinho, que ele se sinta estimulado e confiante nas tarefas que tem que enfrentar no curso. A comunicação/interação com os outros alunos é a troca esperada de informações e experiências do mundo escolar e social. Quando estão em grupos o desenvolvimento da afetividade ocorre com maior frequência. Baseado nessas considerações uma sala virtual deve disponibilizar espaços para essas interatividades formais ou informais, como usar fóruns, chats, desenvolvimento de tarefas em grupos, etc.

Dificuldades para promover a afetividade em uma sala de aula virtual

Em EaD, quando unimos a tecnologia a uma proposta pedagógica baseada na interação, no aprender a aprender, na afetividade, é de suma importância que se pense além da técnica e enxergue o ser humano que está atrás do computador.

Para o docente, muitas vezes, as antipatias e discussões oriundas de desentendimentos de falas é um grande desafio. A falta de habilidades com os tratamentos em ambientes virtuais pode ser um fator a gerar desafetos e discordâncias que podem comprometer fundamentalmente a harmonia do grupo gerado. Assuntos não interessantes ou não relevantes ao curso podem causar irritação ou desânimo.

Nos ambientes virtuais, as relações afetivas podem parecer frias e desprovidas de qualquer aproximação maior. A distância do professor/tutor ou mesmo do aluno no processo de aprendizagem pode causar desânimo ou indiferença. Contudo, mesmo uma observação amadora comprova que afetividades, afinidades e antipatias se criam igualmente a uma situação convencional de um convívio social regular.

O comportamento afetivo

O comportamento afetivo influencia profundamente o desenvolvimento intelectual, pois o desenvolvimento humano tem um elemento cognitivo e outro afetivo que se desenvolvem paralelamente, a cognição e a afetividade estão ligados, se interagem, e a afetividade é o combustível para o desenvolvimento da inteligência, acelerando ou diminuindo a velocidade do desenvolvimento.

No processo ensino-aprendizagem é fundamental que o professor crie vínculos com o aluno e, para isso, deve-se tratá-lo de forma individual e afetiva. O professor deve observar seus talentos, suas potencialidade, seus dons e sua história de vida. Tratá-lo pelo nome, mostrar preocupação pelos seus problemas e elogiá-lo pelo seu trabalho. Esse comportamento afetivo é que faz com que elos sejam criados e liguem afetivamente professor e aluno.

Relação afeto, cognição e inteligência

É impossível ter afetividade sem a sua ligação a elementos cognitivos, ou mesmo ter elementos cognitivos sem ligação com o afeto. A afetividade está intimamente ligada à construção da auto-estima. Se essa auto-estima é positiva, a pessoa tem uma boa imagem de si, acredita que outras pessoas gostam e confiam nela, mas se for negativa, a pessoa achará que não gostam e não acreditam nela.

A pessoa que tem uma boa auto-estima aprende com mais facilidade, enfrenta suas tarefas de aprendizagem com confiança em si mesmo, provavelmente terá bom desempenho, o que reforça bons sentimentos, pois a cada sucesso ela se considera mais competente, sua capacidade de enfrentar desafios é maior e torna-se psicologicamente mais saudável. Já quem tem uma auto-estima negativa, teme situações que possam expor seus sentimentos e pensamentos, já se sente um fracassado ou incompetente. A afetividade é uma das peças chave no processo ensino-aprendizagem, através do vínculo afetivo criado na relação professor-aluno e aluno-aluno, o aluno passa a ter um sentimento que irá nortear sua aprendizagem.

Reflexão e análise das relações afetivas na sala de aula virtual

Em ambas as modalidades de ensino, presencial e a distância existem falhas de comunicação, desafetos e relações afetivas, a diferença se apresenta no tratamento que cada uma recebe, o professor em qualquer modalidade deve ser atuante não só na construção de estratégias e meios de comunicação capazes de levar até os alunos as orientações do professor, mas deve também ser mediador e usar elementos facilitadores do processo educativo, numa efetiva aprendizagem.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Atribuições do tutor na Educação a distância

Uma das principais atribuições do tutor na Educação a distância é acompanhar o aluno a distancia, bem como orientá-los em seus estudos e ajudar no seu processo de aprendizagem. Isso se dá a partir da criação de vínculos de proximidade, sem abandono do profissionalismo, de maneira a quebrar as barreiras das distâncias, incentivando-os, encorajando-os e construindo vínculos afetivos.

De que maneira podemos visualizar e compreender melhor esses vínculos afetivos? O fórum é um autêntico espaço em que esses vínculos são criados. Ao abrir um fórum, o tutor se apresenta e dá as boas vindas aos alunos e, durante todo o tempo de uso do fórum, o tutor deve acompanhar as discussões instigando os alunos a colaborarem com as idéias dos colegas de maneira a concordarem ou não, sempre no sentido de construir vínculos de ensino e aprendizagem.

Ao termino de cada fórum é indicado que o tutor faça um apanhado das principais ideias elencadas durante toda a interação/discussão ocorrida no mesmo, de maneira a construir uma síntese para os alunos, como se fosse uma síntese da semana de estudo sobre um assunto discutido.

Essa metodologia contribui para que o aluno compreenda que a sua participação no fórum estará a todo o momento sendo avaliada e, com isso, as suas postagens podem se configurar em produções cada vez mais ricas e estimulantes.

O modelo de feedback contínuo das atividades, de maneira a orientar a execução do exercício, antes, durante e depois de seu desenvolvimento tem mostrado, em minha experiência, que o tutor e, por conseguinte, o curso no qual ele está envolvido, ganham em eficiência e eficácia, pois garante a comunicação contínua entre alunos e agentes educativos – criando aproximações na Educação a Distância.

Busca-se, com estas ações, o comprometimento do aluno com a formação dos agentes envolvidos nesta modalidade de educação, ou seja, um aluno autônomo, na perspectiva apresentada por Freire (1997), na qual a autonomia é a capacidade e a liberdade do aprendiz de construir e reconstruir o que lhe é ensinado.

Essas ações são significativas, uma vez que o aluno do curso a distancia traz para o ambiente virtual, práticas adquiridas de sua experiência em cursos presenciais, em que o professor em sala de aula orienta e define os seus métodos de aprendizagem e também garante mediações cotidianas face a face.

Diferente do ensino presencial, em que encontramos situações nas quais, a presença física do aluno se sobrepõe à presença intelectual (quando valoriza-se mais o estar na sala de aula do que a participação na mesma, por exemplo), na Educação a Distância um dos principais desafios é a necessidade de participação intensiva do aluno a todo o momento no curso. Ou seja, sua presença é detectada através de sua ação intelectual contínua dentro do curso. Na EaD há uma cobrança muito mais intensa por participação e aprendizagem dos temas e conceitos trabalhados, mostrados através dos registros no AVA.

Dessa forma, o aluno acostumado com a educação presencial descobre, na prática, que a EaD exige um nível de organização e disciplina muito maior do que aquela específica dos espaços presenciais.

Conforme dissemos anteriormente, em um curso virtual o aluno precisa ser autônomo, criar o seu próprio método de aprendizagem, desenvolver técnicas de estudos que o ajudem a estudar sozinho, apesar de não se sentir solitário. Isso ocorre devido ao fato do curso a distância ter as mesmas exigências que um curso presencial, com um elemento singular: não há a presença física do aluno e do professor. Dessa forma, torna-se necessário ao aluno definir quando e quanto tempo irá dedicar à leitura dos seus textos e desenvolvimento das suas atividades sejam as propostas no material de estudo sejam as solicitadas no AVA.

Para contribuir com a organização dos estudos do aluno a distancia, uma sugestão para o tutor é o trabalho com agenda de atividades, no qual ele define seus horários de atendimentos ao aluno.
 
Ao trabalhar com agenda o tutor demonstra planejamento. Um tutor organizado pode contribuir de forma mais efetiva para organização de sua turma. Os alunos desenvolvem mais interesse no seu curso a distancia, se sabe que podem confiar no seu tutor e se aquilo que ele solicita ao aluno é algo que ele mesmo já desenvolveu. Apesar da flexibilidade da EaD, é necessário que o tutor tenha tempos específicos de dedicação (estudos e orientação) e que o aluno saiba destes tempos.

O Perfil do Tutor

Primeira parte da entrevista com Athail Pulino, professor do Departamento de Engenharia Ambiental e Civil da Universidade de Brasília (UnB), diretor do Centro de Educação a Distância da UnB (CEAD-UnB) e um dos fundadores da plataforma Aprender da UnB. Neste bate-papo com o Conexão EaD, o professor Athail Pulino esclarece as principais dúvidas de tutores em relação ao trabalho de tutoria.

Apresentação: Sílvia Urmila. Equipe de produção: Fernando de Castro, Jean Lima, Paulo Higino, Rossana Beraldo, Sayuri Hirako.


Segunda parte da entrevista com Athail Pulino, O Papel do Tutor na aprendizagem.


Educação a Distância: as diferentes mídias

Extraído e adaptado de: Design Instrucional: Reflexões e práticas sobre o curso “as potencialidades da internet para o Ensino presencial”. Autor: Ramon Orlando de Souza Flauzino.

Educação a Distância: as diferentes mídias

Analisando a história da educação a distância, percebe-se o uso de diversas mídias e tecnologias que contribuíram na construção do conhecimento. Todas as mídias e tecnologias (televisão, rádio, material impresso e mais recente, a web) foram importantes na expansão dessa modalidade de ensino. A presença física como requisito básico para ensino e aprendizagem tem cedido espaço a aprendizagem a distância.

Os primeiros cursos a distância eram iniciativas isoladas de Instituições que possuíam uma visão avançada da educação e das potencialidades do homem para aprender e constituir-se um ser social e ativo na sociedade. Conforme Freire (2009) o respeito a autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Nesse sentido a educação deve contribuir na formação do sujeito e no desenvolvimento de sua autonomia, atuando como facilitadora no ingresso do homem na sociedade como um ser ativo, crítico e consciente.

O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que “ele se ponha em seu lugar” ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que exige o cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (FREIRE, 2009,p. 59). A postura ética é fundamental nas relações e mediações que ocorrem nos cursos a distância, pois contribuirá na formação crítica do sujeito e proporcionará melhor aprendizado. A educação a distância foi implementado com o uso de diversas metodologias e potencializado pelo uso das tecnologias mais modernas da época. As metodologias utilizadas compõem o histórico do ensino a distância.

- Ensino por correspondência:

Esta modalidade de estudo é também chamada de estudo em casa e estudo independente introduziu o ensino a distância. Há registros de experiências que datam do fim do século XX nos Estados Unidos, Pensilvânia, Grã-Bretanha e em diversos países da Europa. O motivo principal para os primeiros educadores por correspondência era a visão de usar a tecnologia para chegar até aqueles que de outro modo não poderiam se beneficiar dela. Naquele tempo, isso incluía mulheres e, talvez por esta razão, elas desempenharam um papel importante na história da educação a distância. Uma líder notável foi Anna Eliot Ticknor, que já em 1873 criou uma das primeiras escolas deestudo em casa, a Society to Encorage Estudies at Home (MOORE, 2007, p. 27). O ensino por correspondência, portanto, foi motivado pela necessidade de tornar o distanciamento geográfico um fator não primordial para que houvesse construção do conhecimento.

- Ensino transmitido pelo Rádio e Televisão:

No século XX com o surgimento do rádio e da televisão os educadores vislumbraram nestas tecnologias um meio possível para ampliar e aprimorar o ensino a distância. Em pouco tempo já eram divulgados os primeiros Telecursos cujo foco de atuação era a Educação Básica e o Ensino Superior. As aulas transmitidas pela televisão eram complementadas por guias de estudo impressos e livros didáticos que direcionavam os alunos para os conteúdos estudados. Neste momento percebe-se que o uso de diversas mídias é benéfico para a educação e assegura maior aprendizagem, na medida em que possibilita ao aluno escolher os recursos que lhe proporcionarão maior aprendizado (MOORE, 2007).

- Ensino pela tecnologia da comunicação:

No fim do século XX e principalmente no século XXI tem-se o uso do computador e da Internet no ensino a distância. No principio os equipamentos eram um tanto quanto rudimentares, hoje possuem mais alta tecnologia e têm se tornado, cada dia, mais acessíveis à população. Com a web o ensino a distância ganhou dinamicidade e aprimoramento das intervenções pedagógicas existentes. As atividades assíncronas foram complementadas com atividades síncronas como chats e entrevistas, enriquecendo a construção do conhecimento.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2009.
MOORE, Michael. Educação a distância: uma visão integrada. São Paulo: Thomson, 2007.

Para entender um pouco mais sobre a Educação a distância: as diferentes mídias, assista o vídeo produzido pelo Jornal Nacional (Rede Globo).