Este é um espaço para discussão e informação sobre educação em suas diversas modalidades.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Discalculia - Doença que dificulta aprendizado de matemática é alvo de especialistas

Por: Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Cerca de 6% da população mundial sofre de discalculia do desenvolvimento, transtorno neurológico que dificulta o aprendizado da matemática. A incidência é praticamente a mesma da dislexia, problema análogo - bem mais famoso - relacionado à leitura e à escrita. Pesquisadores brasileiros e estrangeiros querem trazer a discalculia do desenvolvimento para a ordem do dia.

Jovem acerta 100% após o tratamento

Há poucas semanas, uma das principais revistas científicas do mundo - a Science - publicou um artigo sobre a doença. O texto recordava perdas sociais e econômicas para comprovar a gravidade do problema.

Na Grã-Bretanha, por exemplo, estimou-se em R$ 6 bilhões os custos anuais do mau desempenho matemático entre os ingleses. O trabalho também apontava o caráter de transtorno negligenciado da discalculia. Desde 2000, a doença mereceu R$ 3,6 milhões em pesquisas do governo americano. No mesmo período, a dislexia recebeu quase R$ 170 milhões.

"E há trabalhos que mostram que o impacto da discalculia é, pelo menos, tão grande quanto o da dislexia", diz Vitor Haase, do Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento da UFMG. "Mas há uma questão cultural: as pessoas não valorizam tanto a importância da matemática quanto a de ler e escrever."

Contextos. Para que uma criança seja diagnosticada com discalculia do desenvolvimento, é necessário comprovar que sua dificuldade no aprendizado da matemática não nasce de uma deficiência intelectual - que comprometeria outras áreas do conhecimento - ou de problemas afetivos. Também deve ser descartada a hipótese de que condições sociais concretas - como um ambiente de vulnerabilidade em casa ou na escola - bastariam para explicar o transtorno.

José Alexandre Bastos, chefe do serviço de Neurologia Infantil da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), sublinha que os diagnósticos da discalculia do desenvolvimento são sempre feitos por uma equipe multidisplicinar que costuma incluir um neurologista, um neuropsicólogo, um pedagogo e um fonoaudiólogo.

"Vale a pena lembrar o impacto do transtorno em reprovações, abandono escolar, bullying, além de prejuízos à autoestima da criança", afirma a coordenadora do Laboratório de Neuropsicologia da Unesp de Assis, Flavia Heloisa dos Santos. Há vários anos pesquisando o tema, Flavia descobriu que a música pode ser uma poderosa ferramenta para a reabilitação neuropsicológica de crianças com o problema.

Terapia. O tratamento da discalculia não envolve drogas, mas treinamento matemático. Só nos casos em que a criança tem transtorno de déficit de atenção e hipertatividade (TDAH) o médico costuma receitar algum medicamento. "Mas é para tratar o TDAH", afirma Bastos. "Cerca de 40% das pessoas com dislexia e discalculia tem TDAH."

Casos concomitantes de dislexia e discalculia também são comuns. Sheila Guerra, de 11 anos, é um exemplo. Como reforço à escola, ela estuda matemática e português em uma unidade que aplica o método Kumon, em Belo Horizonte. Lá, realiza o treinamento necessário para superar as duas condições. Conta com o acompanhamento da psicopedagoga Miriam Moraes, que afirma que ela deve superar a discalculia em até um ano.

Ruth Shalev, do Centro Médico Shaare Zedek, em Israel, publicou trabalhos comprovando que 47% das crianças que tratam a discalculia conseguem superar o problema. Mas o estudo mostrou que a taxa de sucesso cresce com o diagnóstico precoce.

PARA ENTENDER

"Discalculia não é dificuldade para fazer cálculos complexos", diz o neurologista José Alexandre Bastos. "É a incapacidade de lidar com operações triviais." Os problemas ocorrem em três campos: compreensão dos fatos numéricos (adição, subtração, multiplicação e divisão simples), realização de procedimentos matemáticos (como divisão de números grandes ou soma de frações) e semântica (compreensão da linguagem usada para formular problemas). Ao minar os fundamentos, a discalculia impede a aquisição de conhecimentos mais complexos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Emendas cheias de 'boas intenções' inundam Plano Nacional de Educação

Por: Rafael Moraes Moura
Em tramitação na Câmara, o Plano Nacional de Educação (PNE) foi inundado por emendas repletas de "boas intenções" que pretendem tornar mais ambiciosas as metas traçadas para esta década. Num esforço para atender movimentos sociais e sindicatos, os deputados ergueram várias bandeiras: universalização da demanda por creche, 10% do PIB para a educação e a destinação de 50% dos recursos do pré-sal para a área, o que havia sido vetado no governo Lula.

Leia a reportagem na íntegra em:

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Tutorial - Como fazer sua monografia

No tutorial produzido a Universia Brasil pretende mostrar as características fundamentais para montar corretamente a estrutura do trabalho acadêmico e usar corretamente as formatações necessárias de acordo com aquilo que a ABNT estabelece.

A história da EaD

*Amanda Tolomelli Brescia

A Educação a Distância é uma “nova” modalidade de ensino. Mas, porque utilizarmos a palavra “nova” entre aspas? Porque ela está em amplo crescimento agora, mas não é tão nova quanto podemos imaginar. A EaD surge juntamente com invenção da escrita. Pois, é a partir do momento em que a escrita é inventada que torna-se possível a libertação da comunicação no espaço e no tempo. Ao desenhar nas paredes das cavernas, os homens daquela época já começariam a executar a Educação a Distância, tornando possível a comunicação fora do tempo definido como “agora”.

Um dos primeiros registros que encontramos sobre a EaD mais sistematizada foi em março de 1728, nos Estados Unidos, onde um jornal (Gazzete de Boston) publicou um anúncio de aulas por correspondência. A partir deste anúncio, o aluno recebia semanalmente via correio suas lições. Posteriormente, temos em 1840, na Grã-Bretanha um curso de taquigrafia por correspondência, e também registros de cursos preparatórios para concursos, cursos de contabilidade e de segurança de minas, todos dos anos de 1800.

Em meados do século passado, algumas universidades, ainda fora do Brasil, começam a oferecer cursos de extensão, como em 1924, que a Fritz Reinhardt cria a Escola Alemã de Negócios, que utilizava correspondências. A educação a distância utilizando como ferramenta o rádio, começa a surgir em meados de 1928, com a BBC promovendo cursos para a educação de jovens e adultos.

O grande impulso da EaD no mundo dá-se por volta da década de 60, quando ocorre a institucionalização de diversas ações nos campos da educação secundária e superior, começando na França e Inglaterra e espalhando para o restante do mundo.

Mas e no Brasil, como começa? Bem, no Brasil a EaD é marcada por inúmeros casos de sucesso, mas também períodos de estagnação, devido à falta de políticas públicas para o setor.

Alguns autores fazem referência do surgimento da EaD no Brasil antes de 1900, com anúncios em jornais oferecendo cursos profissionalizantes por correspondência, sendo estes, cursos de datilografia. O marco oficial do surgimento da Educação a Distância, porém, foi o estabelecimento das Escolas Internacionais, em 1904, que funcionava como filial de uma escola norte-americana, sendo que tal instituição existe até hoje. Os cursos oferecidos visavam à busca por melhores empregos, principalmente nas áreas de comércio e serviços. O ensino acontecia com remessas de materiais didáticos pelo correio.

O rádio, no Brasil, começa a ser utilizado em 1923, com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Esta ação teve pleno êxito, mas preocupava os governantes da época, que acreditavam que os programas poderiam veicular mensagens subversivas. O objetivo central desta rádio era promover a educação popular. Com o aumento da preocupação dos governantes e da pressão exercida pelo poder público, em 1936, a rádio foi doada ao Ministério da Educação e Saúde, que criou em 1937 o Serviço de Radiodifusão Educativo do Ministério da Educação.

Em 1969, os sistemas desenvolvidos até então de rádio educativo foram abortados pela censura existente na época. Com o declínio desta ferramenta de EaD, outra ganha força, a TV Educativa. Algumas ações foram realizadas desde então, sendo que uma das mais conhecidas é a iniciativa da Fundação Roberto Marinho que criou alguns programas de sucesso, como os telecursos que até hoje atendem um número inimaginável de pessoas em todo o território nacional.

Quem tem mais de 30 anos, certamente passou sua infância e adolescência vendo anúncios do Instituto Universal Brasileiro, que também oferecia cursos por correspondência, de praticamente tudo, em todos os campos do conhecimento, desde o ensino formal até o técnico, sendo esta também é uma maneira de implantar a Educação a Distância.

E hoje, qual a principal ferramenta para a difusão da Educação a Distância utilizada pelas instituições brasileiras? A internet! Os computadores chegaram ao Brasil por meados da década de 70, com imensos equipamentos, mantidos a altíssimos custos, barateando conforme o tempo, chegando hoje a cifras bem mais acessíveis à população.

A interação online, que existe a partir dos computadores com acesso à internet, facilita a proximidade do professor com o estudante na Educação a Distância, fazendo com que ambos se sintam apoiados, próximos e com um canal de comunicação limpo e aberto.

O estudante da EaD deve aprender a aprender da maneira que mais lhe apraz; ter uma postura diferenciada do estudante do ensino presencial (porém, esta é uma discussão que teremos mais pra frente, neste espaço) e interagir à partir das novas tecnologias de interação e comunicação com o professor: o ambiente de aprendizagem, o material e os colegas que estão realizando o curso juntamente com ele.

Hoje em dia, para que um modelo de Educação a Distância funcione em qualquer instituição, é necessário que existam alguns fatores básicos: como o desenvolvimento e especialização do professor tutor, a criação da autonomia dos estudantes, um ambiente de aprendizagem (software) que funcione bem, um material didático construído especialmente para a modalidade e um apoio institucional que é um dos fatores primordiais para o sucesso desta empreitada.

A partir do desenvolvimento das redes de aprendizagem, a interação começa a crescer entre os estudantes desta modalidade, podendo os mesmos firmar contatos entre eles assincronamente (em tempos diferentes, a partir de fóruns de discussões, por exemplo) ou sincronamente (a partir de salas virtuais de bate papo, por exemplo).

* Graduada em Pedagogia pela Universidade do Estado de Minas Gerais (2007), Especialista em Gestão de Pessoas e Projetos Sociais pela Universidade Federal de Itajubá pelo projeto UAB (2009) e atualmente cursando especialização em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância pela Universidade Federal Fluminense (2010). É autora de materiais didáticos para cursos a distância, tutora a distância e possui experiência como Orientadora Pedagógica de EaD. Atua também como tutora a distância no curso de especialização lato sensu em Produção de Material Didático para a Diversidade pela Universidade Federal de Lavras, em parceria com a UAB e co-responsável pela coordenação pedagógica do E-tec do CEFET-MG. É aluna regular do Mestrado em Educação Tecnológica do CEFET-MG.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Questões de provas de concursos públicos sobre Projeto Político Pedagógico

1. Quando se pretende construir uma escola democrática, o Projeto Político Pedagógico NÃO deve ter o seguinte encaminhamento:
a) O Projeto Político Pedagógico deve ser direcionado para que todos os segmentos (pais, alunos, professores, especialista, funcionários e gestores) pensem e executem o que pretendem, coletivamente, eliminando as relações competitivas, corporativas e autoritárias, permitindo que se estabeleçam relações horizontais no interior da escola.
b) O Projeto Político Pedagógico enquanto proposta para construir uma escola democrática, precisa definir uma concepção de mundo, sociedade e homem, instrumentalizando prioritariamente o educando em seu processo individual e de crescimento intra-pessoal. Esse processo social contribui para desenvolver nos alunos a criticidade, criatividade, valorização pela escola e onde todos sejam sujeitos de sua própria história.
c) Os especialistas e gestores têm a responsabilidade de criar e manter espaços para o debate permanente em torno da elaboração, execução, avaliação e reelaboração do Projeto Político Pedagógico.
d) Quando temos a preocupação com a elaboração do Projeto Político Pedagógico, logo pensamos na concepção filosófico-pedagógica, na organização escolar e na organização do ensino.

2. Ao elaborar um projeto político-pedagógico com base na participação e gestão democrática, uma instituição educacional deve considerar alguns pressupostos. Assinale a alternativa CORRETA.
a) A participação de um grupo específico de docentes, de preferência os que tiverem maior titulação.
b) A centralização acentuada das tomadas de decisões pela equipe gestora da instituição, no âmbito administrativo e pedagógico.
c) A participação efetiva da comunidade escolar com base na responsabilidade coletiva como elemento norteador.
d) Em primeiro plano as idéias de um grupo de consultores especializados em elaboração de projetos.

3. O Projeto Político Pedagógico (PPP) é uma necessidade cotidiana das instituições educativas e um instrumento eficaz para a implementação de suas ações. Nessa perspectiva o PPP caracteriza-se, essencialmente, como:
(A) Um plano didático-pedagógico, previsto na LDB como instrumento regulador das atividades.
(B) Um instrumento norteador das escolas públicas e das ações sistemáticas de todos os membros da comunidade escolar.
(C) Um recurso de gestão administrativa e financeira da escola, que deve ser conhecido por toda a comunidade educativa.
(D) Um documento que se reflete no currículo da escola, construído e vivenciado por todos os envolvidos no processo educativo, que busca rumo, ação intencional e compromisso coletivo.
(E) Um referencial que exprime as exigências da sociedade, das autoridades governamentais e da comunidade local, construído diretamente por esses agentes.

4. O projeto político-pedagógico pode contribuir para transformar a escola. Para tanto é preciso que seja um instrumento de:
a) formalização do planejamento.
b) organização da rotina da escola.
c) reflexão sobre o trabalho da escola.
d) avaliação das atividades escolares.
e) crítica das políticas de educação.

5. Um projeto político-pedagógico comprometido com o binômio educação e cidadania deve ter alguns dos objetivos a seguir:
I. oferecer um ensino regionalizado e dosado de acordo com a classe social do aluno;
II. transmitir conhecimentos que possibilitem ao aluno a entrada rápida no mercado de trabalho;
III. transmitir conhecimentos universais e socialmente valorizados para que os alunos os reproduzam;
IV. transmitir conhecimentos que facilitem ao aluno sua compreensão do mundo.
São eles:
a) somente III
b) somente IV
c) somente III e IV
d) somente II, III e IV
e) I, II, III e IV

6. Segundo Danilo Gandin, em todas as áreas, mas sobretudo na educação, o caminho se faz enquanto se anda. O que há é um horizonte social que inclui um conjunto de princípios que servem de rumo dentro de uma realidade determinada, que se manifesta na proposta de um projeto político-pedagógico. Analise os princípios abaixo, presentes num projeto político-pedagógico:
I. valorizar os conteúdos específicos e as metodologias;
II. considerar o aluno como centro do processo educativo, buscando atender aos interesses individuais;
III. educar dentro de uma visão de homem e de sociedade;
IV. indicar o dever ser, refletindo sobre o futuro humano.
São coerentes com as idéias de Gandin:
a) somente I e II
b) somente III e IV
c) somente I, II e III
d) somente II, III e IV
e) I, II, III e IV

7. A escola, tendo optado pela concepção de educação que deve subsidiar a elaboração do Projeto, passa a explicitar os princípios dela decorrentes, que devem orientar a sua construção. Os princípios norteadores do projeto são:
a) Autoridade, qualidade, participação, autonomia, democracia, igualdade.
b) Qualidade, participação, autonomia, democracia, igualdade e individualismo.
c) Participação, competição, autonomia, igualdade, qualidade, autoridade.
d) Autoridade, qualidade, democracia, igualdade, heteronomia, competição.
e) Qualidade, participação, autonomia, democracia, igualdade e competitividade.

8. Explicitados os princípios orientadores da construção e implementação do Projeto Político-Pedagógico, certos pressupostos precisam ser assegurados para que ele cumpra seu papel de definidor e articulador dos processos pedagógicos e políticos, privilegiados pela escola. Esses pressupostos se configuram, sobretudo:
a) No caráter de processo de construção/reconstrução permanentes e, assim, seus objetivos e resultados não devem ser gradativos, mediatos e flexíveis.
b) Na necessidade de ser construído e desenvolvido com a participação da comunidade escolar que conhece sua cultura, seus problemas, suas expectativas, suas necessidades.
c) Na definição de uma equipe que coordene sua implementação e desenvolvimento, sendo necessário que haja uma liderança, zelando pela sua execução, onde essa equipe que lidera não deve passar por um rodízio.
d) Na explicitação clara das suas metas e das condições subjetivas dadas para sua implementação, somente em nível infra-estrutural.
e) Na não definição de uma equipe que coordene sua implementação e desenvolvimento, pois, se toda a comunidade participou da elaboração do Projeto, não há necessidade de uma liderança, zelando pela sua execução.

9. Das alternativas a seguir, somente uma delas não descreve as finalidades do Projeto político Pedagógico.
a) Possibilitar apenas a individualidade da linha de trabalho na instituição.
b) Dar um referencial de conjunto para caminhada; aglutinar pessoas em torno de uma causa comum; gerar parceria.
c) Ser um canal de participação efetiva, superar as práticas autoritárias e ou individualistas.
d) Propiciar a racionalização dos esforços e recursos (eficiência e eficácia), utilizadas para atingir fins essenciais do processo educacional.
e) Aglutinar pessoas em torno de uma causa comum e gerar parceria.

10. A tarefa de construção de projeto político-pedagógico requer um longo processo de reflexão-ação, orientado por parâmetros que se articulam nas dimensões:
A) política e pedagógica.
B) informativa e somativa.
C) formação inicial e formação continuada.
D) científica e tecnológica
E) cultural e psicológica.

Gabarito

1 - B, 2- C, 3 - D, 4 - C, 5 - B, 6 - B, 7- A, 8 - B, 9 - A, 10 - A.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Senado aprova projeto que combate bullying nas escolas

Autor: Eduardo Bresciani

A Comissão de Educação do Senado aprovou nesta terça-feira, 14, um projeto que obriga as escolas a prevenirem e combaterem o bullying. Como tem caráter terminativo, o projeto segue direto para a Câmara, salvo se for feito um recurso de pelo menos 10% dos senadores para votação em plenário.

A proposta é incluir na Lei das Diretrizes e Bases da Educação (LDB) entre as obrigações dos estabelecimentos de ensino "promover ambiente escolar seguro, adotando estratégias de prevenção e combate a práticas de intimidação e agressão recorrentes entre os integrantes da comunidade escolar, conhecidas como bullying".

O autor do projeto, Gim Argello (PTB-DF), destaca que a intenção é evitar que as crianças sejam vítimas desse tipo de ação. "Os efeitos do bullying são deletérios, causando enorme sofrimento às vítimas. Isso é ainda mais grave quando se trata de bullying nas escolas, por afetar indivíduos de tenra idade, cuja personalidade e sociabilidade estão em desenvolvimento".

O relator, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), enfatizou ser o objetivo da proposta envolver diretamente as escolas na discussão, para que o tema não seja tratado apenas como um problema entre o autor e a vítima. Ele destaca que cabe a cada escola definir de que forma vai enfrentar o tema, mas sugere medidas como capacitação dos profissionais da educação, interação com os pais, articulação com responsáveis pela segurança pública e conscientização dos alunos.

Extraído de:
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,senado-aprova-projeto-que-combate-bullying-nas-escolas,732315,0.htm

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cultura, recurso para o desenvolvimento

Escrito por: Heloisa Buarque de Hollanda


Um dos fenômenos mais alarmantes desse início de século são os números da progressiva favelização e desemprego, muitas vezes também chamada de “humanidade excedente”, especialmente em países em desenvolvimento. Segundo Mike Davis, no livro The planet of slums, um estudo bastante impressionante, a população favelada, aferida pelo UN-Habitat report, cresce hoje em torno de 25.000.000 de pessoas por ano. Este mesmo relatório avalia que os novos pobres periurbanos e suas comunidades informais ou favelas, em 2020, chegará de 45% a 50% do total dos moradores da cidade. No Brasil, os números deste Big Bang da pobreza urbana não são menos dramáticos.

A população que vive em favelas ou “aglomerados subnormais” cresceu 45% nos últimos anos, três vezes mais que a média do crescimento demográfico do País. Hoje, temos 51,7 milhões de favelados, resultado de uma trágica equação de mercado, tornando o Brasil a terceira maior população favelada do mundo, atrás apenas de Índia e China. Nesse quadro de aumento aparentemente irreversível das desigualdades sociais e econômicas e de altos índices de miséria, sobressaem-se, de forma surpreendente, os possíveis usos da cultura enquanto fator de desenvolvimento nas favelas e comunidades de baixa renda no Brasil.

Neste sentido, podemos pensar no conceito de “cultura como recurso”, noção batizada por George Yudice, professor da Universidade de Nova York. Essa noção expressa de forma contundente o contexto da globalização, na qual pode-se observar uma inédita expansão da cultura para os campos da política e da economia e, simultaneamente, o esvaziamento das noções tradicionais e elitizantes de cultura. Hoje, a cultura é um valor a ser preservado em sua diversidade e pluralismo – assim como a biodiversidade – e o investimento em cultura é visto como prioritário para o fortalecimento da fibra social e, conseqüentemente, para o desenvolvimento político e econômico.

Em seus vários e diversificados usos, tanto como economia emergente no mercado global quanto como forma de negociação ou resistência, a cultura tornou-se efetivamente um recurso para a melhoria sociopolítica, para a formação de quadros e geração de renda, para o gerenciamento de conflitos e para a construção da experiência cidadã. Na mesma pista, Jeremy Rifkin cria a noção de capitalismo cultural que teria sucedido e mesmo eclipsado o capitalismo industrial, referindo-se a uma idéia de cultura em tempos de dominância dos fluxos informacionais e comunicacionais permitido pelos meios digitais. A antiga luta de classes perde o sentido diante da luta pelo direito ao acesso à informação e à cultura. Vou trazer aqui um exemplo prático para exemplificar um dos mais eficazes modelos de uso da cultura como recurso para promover geração de renda e inclusão social. Falo do caso do Grupo Cultural AfroReagge, da Favela do Vidigal, Rio de Janeiro.

O AfroReggae é uma ONG criada a partir do impacto na imprensa e na sociedade civil, gerado por um confronto sangrento entre os chefes do narcotráfico e a polícia, que terminou com um terrível massacre de 21 inocentes, no dia seguinte ao embate, percebido por todos como uma vingança da polícia. Os moradores inauguraram, e desenvolvem desde então, uma estratégia singular cuja meta é retirar os jovens do trabalho com o narcotráfico através do estímulo à produção cultural nessa comunidade. Este uso estratégico da cultura, hoje fartamente utilizado nas favelas brasileiras, inicialmente para enfrentar o império do narcotráfico nessas regiões, desenvolve-se e amplia-se no sentido dos usos da cultura como fatores de geração de renda, de alternativa ao desemprego progressivo nessas comunidades, de estímulo ao aumento da auto-estima, de afirmação da cidadania, e, conseqüentemente, de demanda por direitos políticos, sociais e culturais. O caso AfroReagge é exemplar nesse sentido.

Nesses 15 anos de atividades, conseguiu beneficiar mais de sete mil jovens através de 72 projetos políticos e socioculturais no Brasil e no exterior; 13 subgrupos artísticos; cinco ONGs apoiadas no Brasil e uma no exterior (Colômbia). Sua ação vem sendo expandida por meio da coordenação de mais quatro outros núcleos de cultura em outras favelas do Rio de Janeiro, disseminando sua metodologia e a missão de promover a inclusão e a justiça social, utilizando a arte e a educação como ferramentas. Além disso, o AfroReggae, com o apoio da UNESCO, exporta suas tecnologias sociais e expertise em gestão de conflito, usadas inicialmente no controle dos embates de facções de traficantes rivais, para casos de conflito na Índia, Londres e Colômbia.

A forma de ação distintiva desses novos projetos culturais é a de uma atitude “pró-ativa” a partir e para a comunidade, que surge agora com maior eficácia no lugar das velhas políticas de reação, oposição e denúncia de abandono do Estado. Essa atitude privilegia a ação pedagógica, em lugar do confronto agressivo, com excelentes resultados para as comunidades pobres. De uma forma mais geral, o que é reivindicado é o acesso à cultura, visto como um direito básico de todo cidadão, identificado como uma das grandes carências dessas comunidades e como fator estratégico para qualquer projeto de transformação social. Algumas prioridades são estabelecidas nessas ações culturais. Uma delas é a conquista de visibilidade para as comunidades por meio da divulgação intensiva da informação sobre a condição de vida nas favelas, os desejos e as demandas dos habitantes destas comunidades. O rap é a mídia mais agressiva no sentido da conquista da visibilidade, ganhando aqui um status de luta.

Além do rap toda a cultura produzida na favela parece ter esse compromisso com a potencialização das ações de disseminação da informação. Outro objetivo importante do investimento político feito na cultura por esses atores é a formação de quadros na área da cultura e do desenvolvimento da capacidade de se situar no mercado de trabalho, desenvolvendo uma pedagogia de formação do empreendedor engajado. Engajado porque cria um compromisso de redistribuição dos saberes adquiridos e atua na formação de novos quadros nas comunidades de origem.

Examinando o quadro político-cultural das favelas brasileiras fica clara a importância da multifuncionalidade das práticas culturais no mundo de hoje. Se durante dois séculos assistimos o triunfo da economia sobre a política, hoje as questões culturais, aquecidas pelos crescentes conflitos sociais e pelo impacto das possibilidades de produção e articulação proporcionadas pelas novas tecnologias digitais, começam a se impor como eixo político por excelência das formas emergentes de práticas políticas. É neste sentido que os direitos culturais vêm sendo uma demanda nova e significativa no panorama político e econômico global.


* Heloisa Buarque de Hollanda é professora de Teoria Crítica da Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea, do Fórum de Ciência e Cultura e do Instituto Projetos e Pesquisa, ambos da UFRJ. Também dirige a Aeroplano Editora Consultoria Ltda.